Minhas tristezas molhei no mar, viraram espumas viajantes.  Abri um sorriso e voei com o vento. Gratidão à beleza de apreciar a plenitude da Vida! paz e bem a você que viaja comigo por esse infinito!
 

Manhã de maio 

Tudo brilha,

as lindas memorias solto ao vento,

o que ontem não foi luz

guardo no baú de velhas lembranças.

No meu corpo se fortalece as marcas de amor.

Tudo brilha nas diferentes cores verdes

que vejo pela fresta

da janela da sala.

O sol lentamente vai secando

o orvalho que a madrugada

deixou nas folhas das roseiras.

E agora vejo uma gaivota brincando

com leveza neste céu azul

Tudo brilha... 

Sonhar é voar, é navegar, é trazer o horizonte para o infinito do olhar... Paz e bem!



 

O fluir dos sonhos

Parei para olhar dentro dos meus olhos,

vi que o tempo passou

que minha alma

sangrou tantas vezes,

mas que ainda sou a menina

que sonhou e lutou

por um mundo bonito,

criado com beleza, poesia

e pão partilhado.

Cantei Corsário, Coração selvagem,

Como nossos pais, Apesar de você...

folheei meus livros, escutei meu coração

e tenho a compreensão de que

nada foi em vão.

Eu ainda sou uma sonhadora

A nossa canção

ainda embala os sonhos meus. 


Vivenciar com serenidade o que a vida tem a me oferecer é a minha lição de todos os dias. Acolho as gostosuras e as dores da caminhada sentindo que as divindades comigo caminham... Carinhoso abraço a você que comigo compartilha esse imenso universo.

 

Outro balanço

Amo meu velho balanço

amarrado com cordas distantes,

embaixo da frondosa mangueira que

tantas vezes escutou nossas histórias,

que amadureceu beijos e inocências.

Aqui choro, aqui canto,

aqui espero você voltar do mundo das saudades,

naquela nuvem brilhante e travessa

das tardes de julho que tanto me encanta.

Como demoras voltar!

Os frutos já estão maduros,

mas a tua partida sem nenhum adeus

ainda dói em mim, vem cantar pra mim,

já te espero sorrindo, vem...

Na leveza do tempo corre a verve da vida! É palidez, é silêncio gerando esperança. alimentando almas, alimentando sonhos.

 

 

Silenciar

Eu moro dentro do meu silencio

Ele é crepuscular

Ele é pintado de auroras.

O amanhecer e o entardecer

moram numa caixa de segredos

com laços vermelhos.

É no silêncio que eu me escuto,

é no silêncio que me faço versos,

nele eu me refaço.

É no silêncio que eu danço contigo

minha eternidade

É no silêncio que teço minhas saudades

e bordo as cirandas de minha vida.


 O entardecer me presenteia com uma tela encantada. Minha amada Amazônia. Sagrada tarde, sagrado universo. Gratidão aos deuses e deusas da agua.

Memórias vividas

Caminhei por belas estradas,

floridas, perfumadas,

tomadas por ávidos e belos sonhos

Caminhei, carreguei faróis,

dancei cirandas, toquei suas mãos,

o vi de perto, mesmo assim

te deixei sumir sobre o brilho da lua

e vazias promessas.

Nossa estrela guardada a sete chaves,

Encandeceu, fez uma fenda, saiu,

perdeu seu brilho,

descosturou uma história,

outras histórias escreveu entre

estrelas e contos de fadas.

Eu ainda tenho aquele cristal

e guardo no baú de meus sonhos. 

Foi assim, a noite chegando, o horizonte se pinta de diversas cores e o coração se aconchega no portal chamado saudades...
 

 

Flor ao vento 

Sublime tempo

Necessário semear esperança

para que o tempo de ternura

e de bonança não tarde chegar.

Tempo de espera,

se ficar olhando na janela

jogue amor ao vento.

Tempo de me vestir de luz,

meus vestidos de água,

agora estão salpicados de estradas

e versos colhidos na canção.

Tempo de esperar o inverno passar,

colher o trigo,

fazer o pão e num gesto de compaixão

compartilhar com o irmão

que já perdeu o sabor da esperança

e o cheiro gostoso de amar.

Sublime tempo...

Linda essa Amorinha! Era minha companheira de todas as manhãs. Uma doçura de criatura. Caçadora...  Agora corre em outros quintais, habita outra casa...
 

Um amor de nome Amora

Não somos donos de nada,

nem das árvores,

nem da chuva fina,

nem do entardecer solitário,

nem da saudade que dói no peito.

Como fios de uma única teia,

estamos juntos

nessa nave chamada terra,

nesse imenso universo.

A Amora também não é nossa...

O quintal está triste ou triste estou eu?

Cadê a Amora travessa,

a Amora carinhosa que ama

um cafuné na cabeça,

que como criança corre sem cansar,

mas de repente cansou,

murchou, adoeceu...

Nossa eterna cachorrinha

nos disse adeus, se foi...

Que triste! Como dói!

Amora, agora você

está em liberdade,

correndo entre flores e amoreiras,

e esse jardim é todo seu,

minha branquinha amada!

Hoje, sua casa amanheceu escura

e o quintal é um doce silêncio...


Se correr riscos se faz necessário para ser feliz, então umbora,,,
 

 De riscos e pérolas

Se viver é correr riscos,

me arrisco.... 

a me balançar sem medo de cair,

a dançar sem temer a timidez,

a cantar, sem barulhar o silêncio,

a caminhar sem deixar de escutar o uivo do vento.

Ao me espiritualizar,

deixo Deus fazer em mim morada

e consagro o sagrado sem medo de sangrar.

Me arrisco a admirar toda a divina beleza

que se põe diante de meu olhar

e ponho meu corpo a se movimentar

na dinâmica da vida, 

deixando a felicidade calçar os chinelos meus.



Voltei... trouxe para você um amanhecer da esperança. O sol de um dezembro qualquer. Paz e bem para você que ama os amanheceres...

Eterno hoje

Hoje, deixo no seu sono

minha imagem escrita em poemas,

para que ninguém descubra

o nosso segredo guardado na alma.

Hoje e eternamente

deixo em sua mão esquerda,

um pergaminho e uma rosa

para que você não se esqueça

de quando andávamos procurando

um sol, no escuro

da noite sem sonhos.

Hoje espalho sementes de girassóis

no seu caminhar

e em cada pegada sua

deixo lírios amarelos

e um beijo transbordando ternura.

Ah, que saudade! 


Sinta comigo a gratidão das plantas com a chuva, depois de um longo tempo de seca. Paz e bem para você neste dia de chuva e bençãos!

Inverno

E chegou o inverno,

o barulho da chuva no telhado

me levou para um tempo perfumado,

quando eu catava gotas que

escorregavam pela folha do açaizeiro

e dizia que eram cristais.

Hoje amanheceu chovendo,

senti o cheiro de terra molhada,

ouvi o balançar das folhas das mangueiras

e era só gratidão.

O cheiro do jasmim invadiu meus lençóis,

levantei e apreciei o céu

em sua cor cinza pálida

e ouvi o respirar da terra se

embebedando de vida.

E ainda chove... 


Eu deixo a paz entrar no meu coração! Que neste domingo de luz, a paz possa estar no seu coração, também, suavizando dores e sofrimentos. Paz e bem!

Bem querer

Em tempos de nostalgias,

olho pela fenda da janela e todo o horizonte

vem me abraçar,

o infinito toca minhas mãos com ternura,

os jardins derramam essências

cheirosas nos meus caminhos

e as andorinhas comigo

compartilham asas e voos.

Em tempos de nostalgias

o universo me abençoa,

a poesia me afaga

e a espiritualidade de luz me acalma.

Assim, continuo a caminhada,

a estrada recebe as sementes

que eu planto com amor.

Em tempos de nostalgias,

É possível viver com alegria,

com magia e com bem querer. 

Pra onde ir quando em uma encruzilhada tudo parece infinitamente infinito? Se ando tropeço, se fico parada crio asas. E assim, sigo as gaivotas... Paz e bem para você que também ama voar!
 

Uma encruzilhada

O orvalho molhou

minha réstia de sono

O cheiro de terra invadiu as sandálias

do tempo e a estrada caminhou

por entre meus versos.

Na esquina eu parei,

confusas encruzilhadas

Meu vestido de chita,

meio encardido e quase rasgado

se bordou de Dálias

e begônias azuladas

Tempo, estrada, desencontros

acarinham os dedos meus... 

Me visto de água, de pedras e de horizontes. A brisa me traz os amores de longe. A beleza da mãe terra em mim deixa suas marcas de ternura. Gratidão meu mano Claudio Rodrigues pela sensibilidade ao fotografar.
 

Gotas de mim

Um pouco de mim é carne,

outro pouco água em abundância,

sou poesia pela metade,

sou tristeza em fins de tarde.

Sou terra, sou mar,

sou marco entre vida e morte,

sou farol em minha luz,

sou luz nas trevas de meus olhos.

Sou fenda que vê longe,

sou o longe que traz o horizonte

Sou assim, finitude e eternidade

Sou candura e pecado. 

 
E por falar em ancestralidade, esta linda imagem, capitada pelas mãos do Floriano Lima é da Comunidade Quilombola do Curiau. Lugar de resistência, tanto no passado como no presente. Lá, a beleza é deslumbrante, onde o olhar se perde entre o voo das garças e a poesia... Gratidão, Floriano!
 

De onde eu vim

Minha ancestralidade

tem cheiro, tem cor, tem história,

tem memoria, tem som de

passos cansados, tem olhar de fé,

tem vestido rasgado, costurado

com os fios do tempo.

Minha ancestralidade tem inteireza,

vida compartilhada

com tantas outras vidas,

tem simplicidade, tem complexidade,

tem cheiro de rio,

tem sabor de buriti,

gostosura de açaí

e a  beleza da flor do mururé.

Minha ancestralidade caminha

com os meus pés

e os meus olhos se perdem

em vivas lembranças. 


Uma maloca, um velho trapiche encantado... Um rio e um doce silêncio que acalma a alma... 

 

Na esquina do silêncio

Aqui tudo é silêncio,

tudo respira, tudo fala,

tudo sonha

Na correnteza do rio tudo dança,

leva e traz harmonia e paz.

Estou aqui cercada de brisa,

cercada de um silêncio que canta

À sombra dos açaizais

eu refaço os meus laços

e a ternura me abraça

E o rio corre inexoravelmente,

contando suas histórias,

encantando memórias

e coexistindo na inteireza da vida.

Eu amo o silêncio...

Quando a linearidade não me satisfaz eu reinvento... Bençãos e luz para você!
 Quando

O voo da gaivota

Eu vim...

Carreguei no coração a imagem

do seu lindo rostinho

Vim e trouxe na alma

a saudade da brisa do rio amado.

A concha planetária me abraçou

e a inteireza coloriu os meus olhos.

Agua vida, céu mistério,

terra fecunda, mãe amada

e a gaivota circunda o vento.

Já de longe vejo minha gente,

cansaço e esperança,

angustia e plenitude

Vejo Deus no arco íris encantado. 


Beleza para encher os olhos! Pétalas de ipês enfeitam os carros no estacionamento da faculdade CEAP. Eu amo ipês! Gratidão filha, Camila Ilário! 

 

Viver

As vezes o chão parece triste,

abandonado, cheio de lixo,

mas tem dias que

esse chão está lindo,

coberto de pétalas,

de boniteza e encanto

e isso alegra o meu coração.

Viver também é assim,

tem dias que parecem

noites sem lua cheia,

mas a espiritualidade luz faz

tudo amanhecer e eu amanheço

junto com o anoitecer,

mesmo sem luar.

Viver é correr riscos,

é ousar despertar,

é crer na energia cósmica,

na sinfonia universal

Viver é chorar cantando.

Então...


O  velho trapiche fala do tempo, conhece o tempo das águas, o tempo dos açaizais florirem e madurar seus frutos. Conhece o viajante, aprecia a lua e de tanto contar estrelas sente sobre si mesmo o peso de um tempo sem tempo.

A natureza e eu

Eu ouvi a floresta cantar,

a passarada celebrar o amanhecer

que acordava bem cedinho,

antes da lua branca desaparecer

no pálido horizonte.

Eu senti o vento frio

massagear meu rosto,

mexer com meus cabelos despenteados,

com o meu corpo

que ainda dormia entre os lençóis.

Eu vi os pequeninos barcos

deslizarem sobre as turvas

aguas do rio Moju,

rio sagrado, belo rio que

em cada curva conta uma história,

memórias de vidas

que vão, voltam e me enchem

 de doces saudades


 

Não estou sozinha neste imenso universo. Sou um fio junto com outros fios: junto com as nuvens, com os rios, com os pássaros que voam, com os peixes que nadam, com os animais que correm, com as flores que encantam a alma... Somos fios da sagrada Teia de Vida!
 

 

Infinita ousadia

A vida é para ser vivida intensamente,

na alegria dance,

na tristeza chore,

no encontro abrace,

no desencontro seja luz,

na euforia grite,

na dificuldade abra caminhos,

no silencio repouse.

Eu, no sofrimento,

por um instante fico sem aura,

mas a alma pulsa dentro de mim

e me faz sentir que sou um fio,

junto com outros fios

nesta bela teia cósmica.

A vida é um canto,

tem pranto, tem conto,

tem sonho, tem estrada,

mas temos que ter ousadia infinita.

A ternura da vida somos nós

que a tecemos.

Vem! Vamos tecer ternura?

 Meu irmão Claudinho, com esta foto me faz acreditar que todo barco, mesmo em meio a solidão do entardecer, sempre encontra um porto para ancorar. Paz e bem!
 

Eu chorei

Minha vida é uma dança,

mas tem dia que a tristeza

bate forte em minha porta,

as vezes não deixo que ela entre,

eu me escondo.

Outras vezes,

ela arromba a porta

e me toma por inteira,

então eu choro

e quando um rio se forma

com as minhas lágrimas,

as flores voltam a brotar

dentro de mim.

Outro dia eu tive medo e chorei...

meus irmãos e irmãs da espiritualidade

de luz me abraçaram

e a fé virou carne novamente.

Ainda estou triste,

mas a dança continua a bailar... 

Minha amiga Fernanda Cristina tem a singeleza nas mãos! Nesta tarde de brisa e ternura, ela toca o seu coração com essas rosas. Paz e bem!
 

As rosas

Toda Rosa é infinita,

todo jardim é sagrado

Eu abro o meu velho livro

e deixo o nosso poema adormecer

sobre o meu peito.

Toda rosa é infinita,

toda história atravessa

o tempo e se dilui

numa gota de orvalho.

Eu não corro atrás do tempo,

ele não existe,

prefiro ver da janela

o amor acolhendo lua.

Minha vida é marcada pela ciranda

de meus ancestrais.

Toda flor tem sua beleza...